Instituto de Psicologia

Milton H. Erickson

Aprendizagem e crescimento.

Juiz de Fora

 

 

DE VOLTA AO JARDIM!

Suzana Maria de Paula Mendonça

Março\2025

Num jardim encantado viviam flores de várias espécies, tamanhos diversos, cores diferentes e outros canteiros com bastantes mudas para serem reproduzidas. Num dos canteiros tinha uma flor que se sentia diferente, desde muito pequena ela tinha sonhos que outras flores de sua idade não tinham. Ela gostava de coisas que ninguém na família gostava, pelo menos, assim era o discurso familiar. Em comemorações e festas, ela nunca estava feliz, completa ou plena. Não sabia desfrutar ou não se sentia pronta ou não conseguia ficar à vontade? Não sei.  Na primeira oportunidade de sair do jardim e conhecer outros jardins, ela foi. Sem saudade de nada ou de nenhuma flor em especial. Um dia pensando em si e na sua história, concluiu que não se sentia pertencente, descobriu que sim, as inúmeras coisas de que ela gostava, sonhava e queria, muitos antepassados gostavam e faziam.  Claro que ela considerou as devidas épocas e contextos. Ela oscilava entre mágoas, arrependimentos e construções do dia-a-dia. Trabalhava muito e diariamente nos próprios sonhos e propósitos. Investia em autoconhecimento. Identificou os próprios padrões de comportamentos e foi se modificando internamente. Trabalhou todos os aspectos.  Um detalhe muito interessante foi a compreensão de um apelido que ela tinha recebido no inicio da adolescência, “Flor do Pântano” foi muito gratificante e, ao mesmo tempo, chocante a compreensão. Ela ia ao jardim encantado, mas, a tendência foi se afastar muito, com passar do tempo.  Chegou um momento que precisou retornar ao jardim com mais frequência. E percebia que era tudo tão diferente. A terra, as plantas, o tempo, as disposições dos canteiros. Tudo estava diferente e os sentimentos de não pertencimento, de estranheza, de desconforto eram os mesmos. Ela era atualmente uma planta mais evoluída e buscou ajuda para melhor compreender o processo. E descobriu que tudo estava ligado as questões ancestrais. O primeiro passo, foi assumir que podia se alegrar e lidar com o jardim antigo com interesse e gratidão por tudo e todos. Participar dos eventos com discrição e que essa era uma qualidade dela. Em seu canteiro, buscou dar o melhor tom e arranjo que descrevesse a própria personalidade. Continuou utilizando de suas virtudes, qualidades e oportunidades para melhor se inteirar e participar dos eventos. Entendeu que ela precisa e pode fazer mais por si mesma para manter-se em equilíbrio.

 

PERGUNTAS:

O que é construir um jardim?

Quais os elementos necessários para construção de um jardim?

O que você quer cultivar no seu jardim?

 

 

 

 

MUDANÇAS!

Suzana Maria de Paula Mendonça.

Janeiro/2025

Muda o ano, mudam as estações e o tempo. Mudam as coisas de lugar, muda a decoração e mudam todas as escolhas que possam lembrar ou representar as mudanças. E sim, é verdade. Ou muda o entorno e depois muda o interno, como forma de inspiração ou coragem ou uma via para que possa atingir o próprio interior. Mas, também pode mudar o interno e, aí o externo também irá precisar de mudanças. Claro! Tudo isso pode funcionar, mas quando falamos de mudanças, estamos falando de mudanças de hábitos. Mudanças nas formas de se comportar, de falar, de pensar, de sentir, de reagir e de escolher. Só assim poderá instalar as mudanças que realmente deseja. O que acontece é que, de fato, no fundo e na essência humana, há informações que ajudam a se saber de si e sobre si mesmo, se se desconecta da essência, então parece não saber o que de verdadeiro se deseja mudar, porque é no interno que reside o ponto essencial sobre cada um. Diante deste fato, também reside a verdade sobre não só acessar a sua essência como também protegê-la. Ninguém precisa mudar para o outro porque as mudanças são para autoatendimento.  A mudança só é válida quando ultrapassa a sua realidade ambiental e relacional, em todos os aspectos. Aí é a verdadeira mudança, onde através de novos hábitos, novos pensamentos, novos comportamentos e expressões de sentimentos se baseiam e se sustentam no seu novo ser. Isso está ligado à sua nova possibilidade de se conectar com o mais profundo de si mesmo. Trabalhar com sua nova energia e experienciar a todo instante você, na sua nova e real versão, que é você na sua real essência. Um salto quântico, já que envolve alinhamento coerente entre estar consciente de si e compreender a conexão com universo. Sim, envolve o campo mental, físico e espiritual. A sua nova criação estará respaldada em novas ações, em outros saudáveis hábitos, novo estilo de vida que só perpetua o autocrescimento e o autodesenvolvimento. Isso é se permitir ser você mesmo de forma consciente e coerente. Isso sim, é poderoso, por ser almejado, mas para algumas pessoas pode parecer difícil, muitos desistem, mas muitos já compreenderam que este é o momento exato. Diante do acima descrito, eu gostaria de lembrar a você, caríssimo leitor, que aqui deixo um convite. Um convite para sua mente inconsciente liberar os recursos para que sua mente consciente inicie o processo e só assim será mudança de corpo, de mente e de alma. Inteiro.

 

Sugestão de um exercício para iniciar o processo.

Em um local confortável, sente-se mantendo seus pés tocando seguramente o solo ou na sua postural normal de meditação. Inspire o ar pelo nariz, segure-o por alguns segundos e solte-o pela boca, bem devagar. Repita esta respiração até que se mantenha tranquilo de mente e relaxado de corpo. Solte os pensamentos e experimente o nada, o vazio, o escuro... assim depois desse exercício poderá se sentir mais conectado consigo mesmo. Deixe-se levar pela tranquilidade do momento, sem se impor nada, sem se cobrar nenhuma imagem, nenhuma lembrança, nenhuma sensação, a não ser, desfrutar   do relaxamento da mente e a tranquilidade do corpo, por alguns poucos minutos.  Flutuar, viajar, embalar-se na serenidade, no descanso, no agradável momento de se soltar... fique um tempo com tudo isso. E agora, tome uma respiração diferente, espreguice e volte para sua realidade conectado com seu aqui e agora de corpo e mente ligados e prontos para novos hábitos.

Um ursinho!

Suzana Maria de Paula Mendonça

Dezembro/2024

 

Num reino nada encantado, havia uma menina. Ela era loira, olhos castanhos, esperta, inteligente, observadora, simpática, educada, ajudadora, sensível e muito preocupada com todos ao seu redor. Como sonhadora que era, sonhava ter um ursinho. Imaginava ter um urso de cinquenta centímetros de tamanho, macio e de roupas coloridas. Na verdade, em seus sonhos, ele sempre se modificava. Ela não via muitos ursos, nem com as colegas, nem televisão que, na época, nem tinham, então era um sonho baseado talvez, em um único e rápido contato com um pequeno urso de alguém. Em uma noite qualquer, durante o jantar, relatou o seu sonho aos familiares, eles ouviram e nada comentaram. Um dia a mãe comunicou que ia precisar fazer uma viagem. Uma viagem de quase um mês, para um lugar longe e não seria possível se comunicar. De fato, faltava a todos os envolvidos no processo, experiências, conhecimentos, condições e informações sobre educação de crianças e sobre relacionamentos saudáveis. Ao se despedir da mãe, pediu um urso de presente. A mãe prometeu. Os dias foram de muitas expectativas. Imaginava dias e noites como seria o seu urso. Devaneava sobre brincadeiras, passeios e como ia compartilhar o presente com pessoas específicas. O dia de retorno da mãe chegou. Abraços, beijos, ansiedade e a eterna espera. Todos, inclusive ela, ganharam algumas pequenas coisas. Criança se satisfaz com poucas coisas, desde que diferentes, certo? Ela não se conteve e perguntou: você trouxe o meu urso? E a mãe disse: não. Ela mal podia acreditar. Procurou por toda casa, armários, móveis, em cima, embaixo, atrás, dentro, fora, por várias vezes e vários dias.  E, nada. Entristeceu-se profundamente. Pensou: não é Natal, não é meu aniversário e não é dia das crianças, então, não trouxe. Os dias se seguiram no curso normal das rotinas de todos. Embora, por duas vezes, em momentos diferentes, perguntou a mãe porque não trouxe.  Na segunda e última vez, a mãe se aborreceu e disse que ela precisava aprender a esperar. A menina mais uma vez experimentou outros sentimentos. Reconheceu e nomeou: a tristeza, a decepção, a insuficiência, o desmerecimento, a culpa por estar insistindo e por querer. Os dias seguem sem maiores detalhes. Mesmice, rotinas, desejos, sonhos e tudo guardado nas memórias do coração e da mente. Era um domingo comum, sol quente, após o almoço, cada um fazendo suas coisas. Ela percebe a mãe diferente e insistido para ela dobrar as roupas que saíram do varal. Ela vai, mas volta e segue a mãe até o quarto do irmão e vê a mãe tirando do meio das cobertas, um urso azul. Ela corre e volta para as roupas, o coração acelera, experimenta a dúvida e duvida de sua visão. A mãe a chama e ela responde: estou quase acabando e já vou. Terminou o serviço e foi até a mãe.  A mãe a entrega o urso só com a embalagem de plástico transparente que veio da loja e disse: seu urso, eu trouxe. A menina pega, abre, mexe com as pernas e os braços do urso azul de plástico, observa o frágil nariz e a língua, ambos vermelhos, tanto que no primeiro amasso, furou o nariz.   Experimentou de novo, o desencanto, a confusão de receber naquele momento e não antes. Perguntou a mãe se trouxe no dia da viagem e ouviu um sonoro sim.  Percebeu que o urso tinha se tornado um nada, sem emoção, sem entusiasmo, sem sentido, só mais um.  E ela tinha poucos brinquedos no total. Ela o coloca na cama como enfeite e não se sente realizada. Frustrada e desencantada, sim. Muitos anos se passaram e já adulta, relembra com a mãe os episódios e a mãe se lembra dos fatos, conta sobre a difícil fase, fala que a viagem foi por motivo de saúde dela para buscar mais recursos. E ela pergunta por que não me deu no dia que chegou? A mãe responde, não sei! Queria fazer surpresa e ela fala dos sentimentos que experimentou e que nem todos naquele instante ela nomeava, mas, rapidamente ao ouvir na escola, em família, as palavras, soube o que era cada sentimento. A mãe se desculpa, mas ela revive cada sentimento. Hoje, quando ouvi a história, perguntei se ela já havia elaborado os fatos e os sentimentos. Ela disse sim, mas com a forte facilidade para a decepção que permeiam as lembranças e as relações. Diz que tudo isso mudou a visão de mundo, de relacionamento e como ela entende sobre surpresa. Eu concluo: era só um urso azul, de plástico, pequeno que permitiu a experiência e muitas descobertas que a fortaleceram muito.  

 

 

 

 

Indicação de leitura:

Livro:  A Vício, o reino dos fantasmas famintos.

Autor: Gabor Maté

Editora: Sextante