Instituto de Psicologia

Milton H. Erickson

Juiz de Fora

Lugar de crescimento e aprendizagem.

 

 

REFLEXÕES DO MOMENTO

 

 

Suzana Maria de Paula Mendonça.

Junho/2021

 

Vou iniciar fazendo uma citação do livro A Arte da Guerra, quando Sun Tzu diz que: “não é preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso,você precisa ver o que não está visível”.

Estamos sim em guerracontra um vírus mortal, invisível a olho nu e devastador para quem duvida dele ou se descuida. E não há quem não esteja não informado, porque ele já espalha o pior de cada um ao sugar as forças, a fé e a própria esperança.

A extensão se adentra do indivíduo às famílias, nos trabalhos e em todas as esferas.

E ao iniciar o inverno, muitas pessoas se preparam para agasalharem o frio do corpo. Não há quem não sinta ou não seja frágil diante da fria estação.  É por isso, que se iniciam as campanhas de agasalho e a distribuição de sopa. Na atualidade, tudo e todos se tornam vítimas de uma Pandemia e de suas desastrosas consequências.  Mas, o mais trágico e gélido do inverno, é o da alma, o do coração que só são lembrados em determinadas épocas.

Em todo tempo, encontramos pessoas que precisam de auxílios, e de todos os tipos, diante do vírus, nos toca a possibilidade do exercício contra as aparências ou o discurso da vaidade interior. E sabemos que não é fácil sair desse invólucro por tantos anos experienciados e treinados, que somos desde muito cedo. Mas, há agora, uma oportunidade de se trabalhar, de enfrentar e modificar cada uma das estruturas   internas que podemaquecer o corpo e a alma, saciar a fome física e do espirito, restabelecer a esperança aos olhos daqueles que nos apresentam o outro lado de uma realidade triste e lamentável. Por outro lado, há pessoas que estão trabalhando energicamente para ajudar em todos os aspectos necessários, fazendo, buscando, criando e não podemos negar ou suprimir os que estão em constantes orações.

Se cada uma faz o pouco ou o pequeno que pode, então o amparo amplia, porque na rede de um beneficiar o outro, há espaço e solidariedade a todos. 

O distanciamento físico é necessário, as normas de higiene se instalaram para ficar e assim também podem ampliarem as ligações, os recados, as chamadas de vídeos e qualquer outra ação que diminua o distanciamento, até mesmo as doações e prestações de serviços gratuitos.

O momento se torna convidativo às reflexões da individualidade, das ações sociais, das propostas internas e dos recursos que estão disponibilizados dentro de cada um e, agora, evocados para atuarem em ganhos próprios e estendidos aos outros.

Termino citando o mesmo autor e no mesmo livro: “as oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas. ”

 

 

FOTO NA JABUTICABEIRA

 

Suzana Maria de Paula Mendonça

Maio/2021

Era chegado o dia de cortar a árvore.

A menina intrigada, pergunta ao avô: “porque vai cortar a árvore? Ela está bonita e tem passarinhos comendo até asquecaem ao chão. Eu gosto dela. ”

O avô, pacientemente, explica: os galhos ultrapassaram os limites do muro e as folhas e frutas que caem, sujam o terreiro do outro.

Então ela resolve que quer uma foto encostada no tronco e uma abraçando a árvore para que ela não se esqueça da jabuticabeira. Claro, foi tirada a foto, como ela queria. Dias mais tarde, sua irmã mais velha, ao chegar a janela, percebe que a árvore foi podada e questiona o motivo de terem cortado os galhos, dizendo que ela não queria. Ao saber da decisão do avô, ela o questionou, dizendo: agora, árvore ficou torta, porque está sem o galho e os passarinhos foram embora, porque hoje não tinha nenhum comendo jabuticaba e nem no chão. Mais uma vez o avô explicou:“Quando os limites são desrespeitados, é preciso tomar atitudes, às vezes, desagradáveis, enérgicas e tristes. Eu não queira cortar a árvore, mas ela cresceu demais e os galhos foram para o lado que não é o nosso. Eu já plantei outra em outro lugar, e essa vai continuar dandofolhas, flores, frutos e sementes. Os   frutos que apodrecerem e cairem no chão, vão se transformar em adubo para ela continuar crescendo naturalmenteforte. ”A criança continua o diálogo, dizendo: “ ela é tão fininha embaixo e grande em cima, coitada, os galhos são muito pesados, ela faz muita força. ” O avô explica:“pode parecer que o tronco seja fino, mas ele tem o tamanho certo para segurar e sustentar os vários galhos, com folhas, flores e frutos, e émuito inteligente porque ela produz tudo isso,e para ir-se mantendo firmemente no chão, o que cai, volta para ela, através das fortes raízes,que a continuam mantendo neste solo e retirando saudavelmente tudo que ela precisa, dos próprios nutrientes (vitaminas, proteínas, e sais minerais) que,misturadosà terra, continuam gerando força e alimento para ela e até para as outras plantas ao lado dela. O que importa não é a aparência e sim a qualidade da semente e depois, o que pode ser feito para melhorar a qualidade do fruto. Cada espécie tem suas características de troncos, flores, sementes, tamanhos, cores, aromas, altura, largura e finalidades. Existem os bons e os ruins, uns que nos ajudam muito,outros que atrapalham. É assim. Continue gostando e ajudando a natureza, isso é muito importante.

Quando chegamos aqui ela já estava e, por isso, ficou. E ela foi plantada em um lugar que não era muito adequado,por ter sido plantada antes de ter construções ao nosso redor.  E esse tipo de árvore cresce para cima e seus galhos vão crescendo amplamente também, para os lados. Tem pessoas que gostam e querem árvores, outras, não. Por isso, nós vamos respeitar os limites e os gostos dos outros que são diferentes de nós, e despreocupe-se, os passarinhos continuarão a desfrutar das jabuticabas e das outras árvores na horta, que também vão alimentando naturalmente todos eles. Eles se assustaram, amanhã estarão todos de volta.

Em homenagem ao necessário corte dos galhos da bonita, velha e forte jabuticabeira, plantaram abóboras e flores na horta.

 

Optamos por indicar novamente o livro Sítio Caracol

motivados pela carta abaixo.

Abril/2021

“Suzana, boa tarde!!!

 

Se eu tivesse que definir o seu livro em apenas uma palavra, eu diria: ENCANTAMENTO.

Fiquei realmente encantada com a linguagem simples e ao mesmo tempo tão comovente. O livro aborda importantes assuntos tais como: o conhecimento do nosso "eu", o quanto a vida é dinâmica, as regras tão necessárias, colocadas em primeiro plano pela família e posteriormente, pela sociedade. Muito bem abordados também a questão das perdas e o convívio social. O livro atinge a qualquer idade. Muito interessante esse dado.

Mostra que temos que viver um dia de cada vez, em constante construção. Enfatiza a importância dos "limites" das coisas e das situações (tão raros nos dias atuais). Sabiamente colocada a frase " limite é saber fazer na hora certa de fazer e querer e na hora certa, obter, tudo no tempo e quantidade adequados".

Foi de muito conhecimento o que foi colocado sobre as "perdas", tão inerentes a vida... o desconforto dos sete primeiros dias após perdermos alguém (eu via isso nas pessoas mas não tinha a capacidade de sentir aquela dor). Quando vivenciei isso pude ver e dizer que era uma dor que parecia não ter fim. Sangrava e doía tanto que eu pensava: eu não vou superar. Até que veio a missa de 7° dia e ela foi como um bálsamo; como se enxugasse todas as lágrimas e me fizesse ter a compreensão de saber que o luto tem seu tempo necessário. "Afinal, ninguém fica aqui para sempre." No lugar da tristeza e das lágrimas, fica a lembrança dos bons momentos vividos juntos da pessoa que se foi, a presença e os cuidados constantes que tive com ela.  Acabou o choro! Ficou a saudade!

Destaca valores como o respeito ao outro e como nos mostramos através da forma de pensarmos, sentirmos e nos comportarmos.

A questão das separações dos pais, abordado com leveza e profundidade ao mesmo tempo, mas sempre pautada em muito amor.

Enfim, sempre defendi a ideia de que os mais fortes não são os mais bonitos ou os mais inteligentes, e sim aqueles que se adaptam às mudanças. O livro veio de encontro a isso. Afinal, "não há nada que não possa ser superado".

Parabéns Suzana pela linda obra, que por vários momentos da leitura, fui invadida por grandes emoções! Obrigada por me dar esse lindo presente!!! Que Deus continue abençoando você!!!”

 

 

 

Indicação de leitura:

Livro:  A Arte da Guerra.

Autor: Sun Tzu.

Editora Jardim dos Livros.