Instituto de Psicologia

Milton H. Erickson

Aprendizagem e crescimento.

Juiz de Fora

 

 

O poder do exemplo ou o perigo da imitação sem orientações

 

Suzana Maria de Paula Mendonça

Outubro/2026

 

Foi tudo um engano. Um jardineiro trabalhava com várias mudas, várias espécies e reformulando canteiros e mudando de lugar alguns vasos. E como acontece quando muitas coisas estão sendo cuidadas ao mesmo tempo, algumas raízes podem se encontrar sem que alguém perceba.  Foi algum tempo depois que percebeu que havia plantado em um dos vasos, plantas diferentes. Talvez por estar trocando os vasos e utilizando a terra, e a muda foi ao vaso sem perceber porque, certamente, as raízes foram enterradas juntas. Em um vaso, estava uma muda que crescia, mas as folhas viravam para o solo e afinavam as pontas em relação ao corpo perto dos talos e, a outra, historicamente nascia e por sua própria natureza, mantinha suas folhas sempre eretas, alcançando quase um metro de altura. O jardineiro observou, então, que esta última planta começava a apresentar um movimento diferente, as suas pontas começavam a voltar-se para o chão, como fazia a outra e se perguntou: como assim faz este movimento? Onde estaria a origem, a ancestralidade, a genética, seu próprio modo de crescer? Talvez, uma planta possa conhecer muitas coisas sobre o seu modo de crescer, sem ter que explicar como sabe. Isso é autoconhecimento. Assustado, o jardineiro passou a ir observando diariamente. Passou a observar com mais atenção e percebeu algo curioso: não havia outra planta da espécie por perto. A primeira ainda estava em fase de crescimento, poucos brotos começavam a despertar, e aquela planta maior, parecia ser o único modelo disponível naquele pequeno espaço. Assim, ele compreendeu que, enquanto procurava uma explicação dentro da planta, talvez a resposta estivesse ao redor dela. Ela não deixava de ser o que era. Apenas estava aprendendo com aquilo que via.  O jardineiro, aproximou-se do vaso e percebeu que não podia ser à força, mas podia corrigir oferecendo novas referências. Um espaço diferente, mais luz, um apoio direcionado, água mais regular e permitir que ela, no seu próprio tempo, pudesse descobrir outras possibilidades de direção. Porque aquilo que foi aprendido podia ser reaprendido. Uma folha pode procurar chão, mesmo assim, pode encontrar a direção da luz. E cada planta pode descobrir que pode se sustentar independente da inclinação. E talvez percebesse que há uma diferença entre seguir uma direção porque foi ensinada pelo ambiente ou escolher uma direção porque ela realmente combina com a essência e que quer cultivar. As plantas podem compreender que algumas aprendizagens são úteis em determinados lugares, épocas e diante de determinadas circunstâncias, e outra coisa é entender que aquilo que ajudou uma planta a encontrar seu espaço, pode não ser necessário quando se depara com novas condições de crescer. E pode ser que, quando modifica o ambiente ou produz um novo, às possibilidades de respostas podem aparecer. E com isso, o jardineiro entendeu que, às vezes, não é necessário ensinar uma planta a crescer, mas é importante oferecer condições para que por si mesma possa descobrir outras formas de fazê-lo. O jardineiro parecia conversar com as plantas e elas diziam a ele que: crescer não é negar aprendizados anteriores, mas o que continua sendo útil ou o que pode ser transformado ou o que pode abandonar. Pode mais, pode constatar que as raízes estão firmes mesmo que se disponha a pensar ou experimentar novos caminhos. E, talvez seja o amadurecimento que permite manter as raízes firmes no solo, enquanto os galhos descobrem novas direções, novos espaços e outros aprendizados.

 

Exercício:

Trabalhar a respiração várias vezes ao dia, por exemplo: inspire contando 4 / segura 3 / soltando 6.

Inspira o máximo e solta com força, soltando os ombros e os sons compatíveis.

Inspira / segura / expira / segura.

Pode pesquisar outros tipos e avaliar a melhor para você.

 

 

As rasas compreensões mesmo em águas profundas!

 

Suzana Maria de Paula Mendonça

Agosto/2026

 

Em uma ocasião, uma criança estava… na escola… um dia diferente dos outros e, da maioria em específico, mesmo considerando as diferenças. Era como se esta criança estivesse andando sem mapa, sem bússola, sem saber muito bem o que acontecia dentro de si mesmo… naquele momento o corpo estava...um corpo estranho, pesado, cansado… uma cabeça que doía, doía… doía… e observe isso! O corpo falando, ou melhor, gritando… mesmo quando ninguém dizia ou nada via …E essa criança ia… caminhando entre salas, vozes, cadeiras… ouvindo sons distantes… sentindo um calor que subia… um desânimo que ficava… e ficando… então… ela se lembra que pode pedir ajuda… e pede… E alguém a leva… para um outro lugar… uma sala, outra...que nela fica a coordenação… um espaço de esperar… de … de ligar… de buscar… de acolher. Mas… curioso… as ligações iam… e não iam… chamavam… e não chegavam… tocavam… e não eram ouvidas… não eram vistas e... sem rastreio… sem resposta… sem retorno… E as perguntas? Muitas, várias, nenhuma... E a criança volta… insiste em ficar… se esforça para aprender… busca o não se sabe o que …, mas o saber fica distante… as palavras embaralhadas… o corpo chamando mais alto… a boca via o som que sentia no corpo o aroma dos sentimentos...embrulhados.  O novo pedido era volta… vai… recomeça… volta de novo… respira… percebe esse movimento… em ondas, o ir e vir, tão perto e, ao mesmo tempo...  lá E, o tempo arrastado chega a hora, enfim, quando finalmente o soar da campainha convida ao término. Encontra… aquilo que antes distante agora perto e confuso. A mãe aparece… o encontro acontece…, mas junto vem o choro… forte… sentido… apertado… e os sentimentos revoltos...expressam...  um pouco de tudo o muito de vários e o que sai é raiva… tristeza… confusão… tudo junto… profundo… como se o sentir fosse grande demais… grande… enorme…estranho. A mãe repassa os tópicos… mostra… o telefone silencioso…sem registros… sem sinais… sem chamadas… O pai também… mostra… explica… tenta compreender… como compreender o que é sem explicações? E veja… às vezes… os caminhos falham… os meios não funcionam… os aparelhos travam…e a conexão… separa… passam novamente horas dentro de um tempo incerto.  Enfim a casa… o cuidado acontece… medicar… esperar… a febre resolve que vai e volta como mergulho nas horas e um boiar na superfície do enigmático processo de complexidade. O corpo, voltando… aos poucos… refazendo… respira e revigora pelo próprio saber do como. E então… algo importante acontece… a história sendo contada… recontada... talvez processada em curvas, minutos, expressões... de novo… e de novo… por quem viveu… quantos estão nela, por quem sentiu…  quem falou? Quem pensou? Quem atendeu? E quem não atendeu. Perceba isso… dói onde? Na alma? No corpo? Na consciência... Quando se conta… se organiza… no repasse e cai o véu... no sentir as manifestações, nas palavras as novas compreensões. Quando se expressa… se entende… no nomear até abraços... A mãe pergunta… escuta… sente… solta a frustração…a tristeza… a compaixão… A declaração é séria e verdadeira...E a criança… podendo, tranquilamente agora, mais tarde, saber… podendo, pausadamente dizer… entende profundo na alma e  também, se move e diz: “como um peixe… no fundo do mar… sozinho… preso… numa gaiola…” E observe bem isso… um peixe… que mesmo no fundo… ainda respira… mesmo preso… ainda sente… mesmo sozinho… ainda pode… e pode mais, pode ser encontrado… Por que… em algum momento… as águas mudam… as conexões voltam… os sons chegam… E aquilo que parecia isolamento… pode se transformar… em compreensão… Então… talvez… sem perceber… essa criança vai… e poder dizer… poder sentir… poder esperar? Quem sabe? E que mesmo quando ninguém atende… há caminhos…há encontros… há retornos. Respira… E deixa essa história ficar… onde ela precisa ficar… fazendo… o que precisa fazer… aos poucos… no tempo certo… o que mais pode acontecer? Propostas, permissões, descobertas, compreensões, acertos ou... talvez....

Por favor, coloque -se em uma posição confortável e tome uma respiração diferente. Vá soltando cada parte do corpo, enquanto a mente descansa e permite acompanhar o total relaxamento de cada parte do corpo. Enquanto a mente consciente descansa, a mente inconsciente relaxa e, ao mesmo tempo, a mente inconsciente apresenta os recursos necessários para que neste momento, a sua mente consciente trabalhe a seu favor, porque pode ser alguns minutos de tranquilidade e refazimento completo. É como afinar as cordas de um violão, que aperta para uma tensão exata para produzir o melhor som, solte as tensões e libere a mente para criar imagens, enquanto o corpo cria a descontração ideal para se aprofundar nas cores do arco-íris. Imagine que está envolvido nas sete cores. As cores descem da cabeça aos pés. Se você se permite, então o início é agora, porque as cores seguem trabalhando externamente na sua proteção e internamente na sua restauração. Permita que as cores restaurem tudo o que for necessário, neste momento. Ao se preparar para dormir, poderá manter a tranquilidade do corpo e o descanso da mente, porque isso equivale uma sessão de massagem ou uma hora de sauna. Talvez você se recorde de uma música que acompanhe o movimento das cores e sincroniza a entrada e a saída de ar pelas narinas e boca. Inspire e expire... sinta, veja, ouça... fique um tempo consigo mesmo desfrutando. (pausa)  Agora, tome uma respiração diferente e vá se conectando de corpo e mente, desperte para  o aqui e agora, conectado no presente e sentindo todo corpo, trazendo coerentemente a sua atenção para realizar a próxima atividade.

 

 

 

Entre o Ruído do Mundo e o Silêncio da Essência, instala-se a desconfiguração!

Suzana Maria de Paula Mendonça.

Abril/2026

Está se tornando comum, passar pelas pessoas e perceber que estão... estão desconfiguradas. Elas atualmente, parecem máquinas que perderam o manual de fábrica, mas são de alta e complexa tecnologia. Andam pelas ruas como sistemas operacionais corrompidos, tentando funcionar apesar dos erros internos. Partes espalhadas e desconectadas como se estivessem em pequenos e diários curtos-circuitos. Os olhos brilham como telas acesas, mas por dentro há códigos quebrados, linhas incompletas, números faltando. Excesso de luzes. Falam muito, mas as palavras soam como notificações vazias que ninguém realmente lê ou o sistema não reconhece os caracteres, aí ouve sonoras frases “não sei como posso ajudar” ... Vivem 24 horas conectadas, mas a conexão é fraca, instável, o sinal é ruim e quase ilusório o que se vê, ouve ou se conecta. É como se o Wi-Fi da alma estivesse sempre oscilando, fraco ou sobrecarregado e desconectado de algo maior, invisível e essencial. Buscam sentido em atualizações constantes, sem perceber que o problema não é a versão, mas a essência espiritual esquecida. O corpo físico, cansado, carrega o peso de rotinas repetitivas, como engrenagens enferrujadas que já não descansam e operam com dificuldade. A mente acelera, produz em megabytes, mas o coração emocional trava, se torna incapaz de processar o excesso de estímulos e as muitas conexões, ao mesmo tempo, várias janelas abertas e programas pesados rodando concomitante. Há corações rodando em modo automático, com starts repetindo padrões como algoritmos cansados, lutando por mais curtidas, em pequenos espaços de stand-by. Sentimentos são comprimidos, simplificados, reduzidos a emojis de fácil envio, joinhas e palmas. E, assim, a profundidade vai sendo arquivada em pastas esquecidas da alma. Enquanto isso, a natureza perfeita em seu ritmo, digitam as várias estações, continua pulsando lá fora, ignorada, como um sistema puro, que ainda funciona em harmonia, mas é vista como uma velha e antiga versão. As pessoas estão desconfiguradas, não por falta de capacidade, conteúdo internos, habilidades, qualidades, mas por excesso de interferência e de informações. Ruídos externos invadem o sistema, confundem prioridades e distorcem verdades. Sinais, lembretes ativados, necessidade de seguidores que nem de longe se conhecem, são chamados e respondidos como se amigos fossem. E no meio de tanta informação, perdem o acesso ao próprio núcleo, se esquecem em que sintonia vibram, de onde vieram ou para onde querem ir. Esquecem senhas importantes: quem são, o que sentem, em que acreditam, o que é próprio de si mesmo. Desligam-se do espírito, desconectam-se do corpo, silenciam as emoções e ocupam a mente com pensamentos acelerados e repetitivos. Talvez o conserto não esteja em reiniciar o mundo, em deletar arquivos, apagar pastas, passar o melhor e mais completo antivírus, mas em reaprender com o vento, com o silêncio das árvores, com o ritmo da terra, a fluidez da água, o perfume das flores e o suave calor sol após o brilho das estrelas no escuro da noite e a luz vibrante da lua em todas as suas fases. Pode ser útil, pausar ou desligar por um instante, respirar fora da rede, sentir o próprio corpo e escutar a própria alma. E, com calma, reconfigurar a si mesmo de dentro para fora. Restaurar os programas que já fazem parte do pacote, recarregar a bateria, sincronizar arquivos, sair das nuvens e, com segurança, armazenar a realidade e voltar a si na sub essência, onde mora cada um, mesmo reconhecendo, se encontrando e atualizando, às vezes, até mesmo no HD externo, seguindo se apresentando e compartilhando experiências e conhecimento, de si mesmo primeiro, depois do entorno.

 

 

 

MUDANÇA DE LUA!

Suzana Maria de Paula Mendonça

Fevereiro/2026

 

O céu não estava tão visível, a brisa bailava suave e refrescante, estava claro que a lua brilhava e se impunha. Afinal, era noite de lua cheia. Não se trata de um grande fenômeno e sim de uma experiência individual. E, diante disso, cada um sente, enxerga e representa mentalmente como for mais fácil ou melhor para si mesmo. Interessante quando pensa em experiência, para cada um, uma ideia ou um sentimento ou um símbolo, estão ligadas as experiências pessoais. E o fato é que a lua mudou de lugar muito rápido, apareceu totalmente cheia e vibrante, pulsava em câmera lenta, iluminada como nunca visto. Sim, talvez faltou mais atenção no passado. O céu azulou de outro tom e as nuvens se abriram como se quisessem dar lugar a majestosa lua. Tudo em rápidos movimentos, como se precisasse ser assim. E parecia que ninguém estava assistindo ao espetáculo. Pode ser que neste exato momento, só se via o céu, a lua, as nuvens e este atraente episódio que por si só, roubava a total atenção. Muitos pensamentos, muitas sensações e muitas mudanças deles. Mas, diante do quadro acima descrito, foi uma experiência como da gratidão. Gratidão por ver o céu mudar para um tom mais claro, menos nuvens e mais azul e a lua em seu poder. Sentir a comunicação com o universo, sentir a unicidade entre ser humano mais forte, mais capaz, mais corajoso e mais perto de algo mais elevado e de maior energia. E, com a possibilidade de manter a lembrança despertada, como representação divina, como ponte, como unidade de comunicação com a natureza e com tudo que ocorre em cada etapa dela. Não retiro a possibilidade de uma grande influência por tantas mensagens e orientações que as redes sociais deflagram, leituras, conversas. O que importa é a sensação que fica, a leveza que flui, o somatório das emoções e no momento, amplia, perdura. Quem sabe por tempo limitado, talvez indeterminado. Tão forte e tão profundo que ao se recordar na mente, estimula o corpo a voltar a sentir.  Sentir o amore a sabedoria universal. A conexão perfeita com um campo onde se capta o que tem mais, verdadeiro, puro e diferente para o corpo, mente e alma.

O mais importante é aprender com as experiências, ampliá-las e compartilhar para ser um bom estimulo. Mas, na verdade, precisa sim ser sentida ou vivenciada, como queira, mas queira, entregue-se, permita-se para que a vida seja mais verdadeira, mais significativa e poder se inspirar a cada dia.   Cabe a cada um selecionar e escolher como quer se informar, como quer ritualizar e como quer estar em momentos previstos ou se deixar levar nos imprevistos e se maravilhar. O fato, é que ao olhar para o céu e buscar a melhor forma de conversar com o universo, pode vivenciar o que pode ser chamado de a grande experiência. Entender a unidade com o criador e a excelência da sabedoria universal que habita em cada ser humano. Utilizar de todas estas mudanças para saber como se relacionar com tudo isso de forma produtiva, proveitosa, positiva e vibrante! Elevar a alma, despertar a consciência e sentir no corpo a grandeza desta experiência. Afinal, as luas estão aí e continuam mudando, embelezando diariamente e prontas para conectar com quem desejar evoluir.

 

 

 

 

 

Indicação de leitura:

 

Livro:

A tristeza transforma,  a depressão paralisa.

Autor:

Neury J. Botega